Estratégias de Ensino

Versão 4

    Cenário de aula
    Imagine uma sala de aula na qual...


    Um aluno do terceiro ano diz: "Eu estava bem assustado quando cheguei para a minha primeira aula nesta escola. Aposto que foi assim que os imigrantes se sentiram quando vieram para a América."


    Um aluno do quinto ano pergunta: "Quantas reuniões de grupo devemos ter para elaborar o relatório de nosso ecossistema? Eu já terminei meu gráfico S-I-A e estou pronto para estudar algumas idéias antes de começar."


    Um aluno do sétimo ano questiona: "Hoje podemos nos reunir com o grupo durante uma parte do tempo? Estou com dificuldade em converter frações em percentuais e acho que eles podem me ajudar nisso."


    Um aluno do terceiro ano do ensino médio sugere: "Eu acho que meu boletim sobre bioma para a Comunidade Noturna já está pronto. Quero adicionar mais dois gráficos e então poderei mostrar meu trabalho!"


    Em uma sala de aula na qual diversas estratégias de ensino são aplicadas todos os dias, os alunos são mais participativos, têm mais desafios e aprendem em níveis mais elevados. Os professores dessas turmas vêem os benefícios do uso dessas estratégias para deixar os alunos a cargo de seu próprio aprendizado.


    Várias estratégias de ensino para um aprendizado participativo
    As estratégias de ensino que requerem a participação dos alunos e os envolvem no processo de aprendizado estão no âmago do trabalho dos bons professores. Uma pesquisa revela que determinadas estratégias ajudam nas conquistas dos alunos e no aprendizado em níveis mais elevados.


    Conhecimento prévio

    Conheça a importância de explorar o conhecimento anterior dos alunos para ajudá-los a construir um novo entendimento.


    Organizadores gráficos

    Conheça os organizadores gráficos e saiba como usá-los na sala de aula.


    Aprendizado cooperativo

    Conheça estratégias diferentes de ensino cooperativo e veja como incorporá-las ao ciclo de ensino.


    Comentários

    Entenda como os comentários do professor e dos colegas estimulam o aprendizado do aluno e podem ser integrados ao ensino cotidiano.


    Reconhecimento

    Saiba como o reconhecimento afirma o trabalho realizado pelos alunos e auxilia seu aprendizado.


    Questionamento

    Conheça técnicas diferentes de questionamento, incluindo o Método Socrático de Questionamento, e veja alguns exemplos.


    Modelagem (*)

    Veja como a modelagem do professor pode ser uma boa estratégia para demonstrar uma nova  situação de formação ou o uso de um novo conceito.


    Lidando com a tecnologia

    Descubra como superar as barreiras da tecnologia e como aproveitar ao máximo os recursos tecnológicos.


    (*) ...a palavra modelagem no sentido de um processo de representação. Um modelo é uma representação simplificada de um sistema, mantendo apenas as suas características essenciais...


    (...) Uma das mais importantes características dos programas de modelagem é a possibilidade de construir múltiplas representações de uma mesma situação. De certo modo, compreender um modelo e o respectivo fenômeno é ser capaz de construir múltiplas representações e ''navegar'', entre uma e outra.


    Recursos adicionais
    Veja alguns recursos úteis, online e impressos, sobre estratégias de aula.

    Saiba mais


    Aprendizado Cooperativo

     

    Conheça o aprendizado cooperativo
    Duas cabeças aprendem melhor do que uma. Essa variação do ditado aplica-se quando falamos de alunos em uma sala de aula. O trabalho cooperativo em grupo é uma parte importante de uma aula produtiva. No entanto, aprender em grupo vai muito além de apenas fazer os alunos "trabalharem juntos". O principal objetivo do trabalho em grupo é possibilitar aos alunos o envolvimento ativo em seu aprendizado quando há uma meta comum aceita por todos. Essa reunião permite que os alunos trabalhem em conjunto para maximizar seu próprio aprendizado e o dos demais.


    "Em uma situação de aprendizado cooperativo, a interação é caracterizada pela interdependência positiva de uma meta com responsabilidade individual." (Johnson & Johnson, 1998)


    Uma frustração constante de professores, alunos e pais com relação aos grupos cooperativos é que, muitas vezes, alunos mais preparados fazem a maior parte do trabalho. Para que o grupo cooperativo seja eficiente e aproveite bem o tempo da aula, o trabalho em grupo deve ter definição de papéis, metas e responsabilidades individuais claramente delineadas.


    Na sala de aula, os grupos cooperativos proporcionam aos alunos oportunidades de aprender com os demais e de ensinar os outros em situações "reais". "Nos anos 90, o trabalho em equipe passou a ser a competência administrativa mais valorizada em estudos de empresas do mundo todo" (Goleman, 1998). Podemos preparar nossos alunos para entrar no mercado de trabalho dando a eles essas oportunidades valiosas de trabalharem juntos para criar produtos e resolver problemas.


    Cuando se organiza un aula en torno a un grupo de trabajo cooperativo, el objetivo final es lograr que los estudiantes se vean activamente involucrados con sus aprendizajes. Agrupar a los estudiantes en parejas o en grupos pequeños, incrementa su participación. Los estudiantes sienten menos presión cuando se les solicita efectuar una tarea con un compañero, que cuando la realizan en forma independiente.


    Ao organizar uma sala de aula com trabalho em grupos cooperativos, a meta final é fazer com que os alunos envolvam-se ativamente em seu aprendizado. Agrupar os alunos em pares ou pequenos grupos aumenta a probabilidade de envolvimento. Os alunos sentem-se menos pressionados quando precisam realizar uma tarefa com um colega em vez de fazê-las totalmente sozinhos.


    O aprendizado cooperativo deve ser usado estrategicamente. "Uma pesquisa revelou que a estrutura cooperativa supera as estruturas competitivas e individualistas acadêmica e socialmente, independentemente do conteúdo ou do ano" (Kagan, 1997). Normalmente, os alunos vêem a escola como uma competição, na qual eles tentam ser melhores do que seus colegas de classe. Uma pesquisa mostra que os alunos têm uma postura mais positiva com relação à escola, à matéria e aos professores quando têm uma estrutura para trabalhar em cooperação (Johnson & Johnson).


    Fazendo acontecer na sala de aula
    Com tempo e paciência, qualquer professor, de qualquer ano, consegue incorporar o aprendizado cooperativo ao ensino. O segredo do sucesso está em manter grandes expectativas, manter a responsabilidade dos alunos tanto individual como coletivamente e criar um ambiente na sala de aula que estimule a cooperação.


    Grupos cooperativos no currículo
    A pesquisa oferece respaldo ao uso de vários tipos de agrupamento cooperativo, e eles podem ser utilizados em todos os anos e com todas as matérias.


    Ensino recíproco

    Uma estratégia de agrupamento cooperativo que leva os alunos a assumir o papel de professor e a trabalhar em grupo para dar sentido ao texto.


    Método jigsaw

    Uma técnica de aprendizado cooperativo que comporta uma grande variedade de conteúdo a ser estudado e compartilhado pelos alunos em um grupo.


    Discussão em grupo

    Uma estratégia de discussão cooperativa composta por três estágios de ação nas quais os alunos falam sobre o conteúdo e debatem idéias antes de compartilhar com toda a classe.


    Grupos de debate

    Uma estratégia de ensino cooperativo que leva os grupos de alunos a debater idéias e criar a partir do fluxo de idéias dos demais.


    Referencias
    Goleman, D. (1998). What makes a leader? Harvard Business Review. November-December, pp. 93-102.


    Johnson, D. & Johnson, R. (1998). Cooperative learning and social interdependence theory: Cooperative learning. www.co-operation.org/pages/SIT.html*


    Kagan, L., Kagan, M., Kagan., S. (1997). Cooperative learning structures for teambuilding. San Clemente, CA: Kagan Cooperative Learning.


    Ensino cooperativo eficaz
    O agrupamento cooperativo requer organização e prática.

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    Recursos e exemplos

    Ensino recíproco

    Método jigsaw

    Discussão em grupo

    Debate


    Organizadores gráficos

     

    Conheça os organizadores gráficos
    Os organizadores gráficos ajudam os alunos a pensar sobre seu conhecimento além de visualizá-lo e organizá-lo. Em uma sala de aula tradicional, a maioria dos professores costuma usar a fala, a leitura e a redação para representar e comunicar conceitos. Estudos mostram que, quando os alunos criam representações não-lingüísticas de seu conhecimento, ocorre um aumento da atividade cerebral (Gerlic & Jausovec, 1999). Ao criar um mapa conceitual, um fluxograma ou um simples storyboard, os alunos precisam aplicar habilidades de análise para esclarecer relacionamentos, organizar seu raciocínio e formular planos ou etapas de um processo. O processo de criação de representações ajuda os alunos a reter as informações e aumenta sua capacidade de comunicar e mudar seu raciocínio no trabalho em grupo colaborativo.


    Levando novas estratégias para a sala de aula
    O uso de organizadores gráficos é uma estratégia universal apropriada a todos os anos e matérias. Ele pode ser introduzido no início da unidade de estudo, consultado durante ela e usado como meio de avaliação. Há várias aplicações para os organizadores gráficos.


    • Um professor de português do ensino médio usa um organizador gráfico para encadear eventos enquanto os alunos lêem um romance. Esse organizador ajuda a documentar os eventos durante a leitura e a refletir sobre o que foi lido, fazer previsões e preparar debates. O trabalho final é usado como avaliação.
    • Uma professora do ensino fundamental pede aos alunos que eles criem um gráfico T para comparar e contrastar as diferenças e semelhanças de duas tribos indígenas. Esse gráfico T é então usado para ajudar os alunos na criação de uma apresentação multimídia.
    • No ensino médio, a professora de ciências solicita aos alunos que eles criem um mapa causal para mostrar as causas e efeitos do movimento da placa tectônica em um estudo sobre terremotos. Os debates sobre cada mapa levam os alunos a uma análise mais minuciosa de suas descobertas.

     

    Exemplos no currículo
    Muitos tipos de organizadores gráficos podem ser usados em todos os anos e com todas as matérias.


    Mapas conceituais

    Os mapas conceituais ajudam os alunos a reunir e debater idéias e informações. Um mapa causal é um tipo específico de mapa conceitual que mostra as relações causa-efeito.


    Atividades seqüenciais

    Essas atividades ajudam os alunos a concatenar as informações e organizar seu raciocínio de maneira lógica. Incluem série de eventos, linhas do tempo e planejadores de storyboard.


    Gráficos de classificação

    Os gráficos T e diagramas de Venn são gráficos que ajudam os alunos a organizar as informações visualmente para comparar, contrastar ou encontrar semelhanças e diferenças.


    Listas prioritárias

    Essas listas ajudam os alunos a analisar e priorizar as informações ao avaliar os critérios para suas decisões.


    Referência
    MOREIRA, Marco Antonio. MAPAS CONCEITUAIS E APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA. Instituto de Física - UFRGS


    Nova escola

    http://novaescola.abril.com.br/ed/170_mar04/html/software.htm*

     

    Mapas conceituais

    http://penta2.ufrgs.br/edutools/mapasconceituais/*

    http://mapasconceituais.cap.ufrgs.br/mapas.php*

     

    Redução de textos

    http://www.ceteb.com.br/escolaberta/texto4.htm*


    Exemplo de organizadores gráficos

    Mapas conceituais

    Atividades seqüenciais

    Gráficos de classificação

    Listas prioritárias


    Conhecimento Prévio

     

    Sobre a exploração do conhecimento prévio
    Para um aluno, um novo conteúdo pode ser assustador. É um monte de palavras novas, idéias e conceitos que os outros parecem entender facilmente ou já conhecer. Os professores podem ajudar seus alunos na transição do desconhecido explorando o conhecimento prévio do aluno. Uma pesquisa revela que podemos dar um impulso ao aprendizado acessando atitudes, experiências e conhecimentos pré-existentes, vinculando o que está sendo ensinado ao que o aluno já sabe.


    Os professores podem usar o conhecimento prévio para dar mais significado ao ensino. Muitos pesquisadores (Peshkin, 1992; Protheroe & Barsdate, 1992; e Lee, 1992) destacam a importância de incorporar o histórico cultural do aluno ao currículo. À medida que o mundo muda, os alunos precisam aprender a entender e a apreciar as experiências e as contribuições de pessoas com históricos diferentes. Uma educação culturalmente receptiva vincula o currículo, o ensino e a avaliação às experiências, à linguagem e à cultura dos alunos - em outras palavras, ao seu conhecimento prévio.


    Além disso, essa estratégia define um ponto de partida para o ensino e para a seqüência de atividades. Como afirma o psicólogo da aprendizagem David Ausubel: "O fator mais importante que influencia o aprendizado é o que o aprendiz já sabe."


    Fazendo acontecer na sala de aula
    Exercícios que acessam o conhecimento prévio podem ser aplicados em qualquer ano, em qualquer área de conteúdo e em qualquer matéria. O conhecimento prévio é o ponto de entrada certo para o ensino, pois se baseia no que já é conhecido, auxilia na compreensão e dá sentido ao novo aprendizado (Kujawa e Huske, 1995). Usar o conhecimento prévio dos alunos é uma boa maneira de começar uma nova unidade ou lição e uma forma melhor de envolver os alunos desde o início. Usar esse conhecimento durante a unidade de estudo manterá a participação dos alunos em seu aprendizado e o material continuará relevante.


    Exemplos no currículo
    Desde a simples formulação de perguntas ao uso formal do diário para documentar o conhecimento prévio dos alunos, há inúmeras atividades que os professores podem adotar. Os exemplos a seguir podem ser usados em todo o currículo e em qualquer ano.


    Atividades escritas

    Atividades que pedem aos alunos que escrevam e reflitam sobre o que já sabem do novo conteúdo. Inclui anotações, diários e registros de aprendizado.


    Gráficos Saber-Indagar-Aprender (S-I-A)

    Uma técnica de ensino para ativar o conhecimento prévio dos alunos, definir metas e registrar o novo conhecimento adquirido com a unidade de estudo.


    Atividades de raciocínio

    Atividades que estimulam o raciocínio dos alunos ao dar-lhes a oportunidade de fazer previsões, listar e classificar idéias e fazer comparações com base no seu conhecimento prévio.


    Debates

    Debates entre aluno e professor e com toda a classe ativam o conhecimento prévio do aluno ao lhe dar a oportunidade de compartilhar oralmente suas idéias e discutir suas opiniões.


    Referências
    Kujawa, S., & Huske, L. (1995). The Strategic Teaching and Reading Project guidebook (Rev. ed.). Oak Brook, IL: North Central Regional Educational Laboratory.


    Lee, C. D. (1992, February). Literacy, cultural diversity, and instruction. Education and Urban Society, 24(2), 279-291.


    Peshkin, A. (1992). The relationship between culture and curriculum: A many fitting thing. In P.W. Jackson (Ed.), Handbook on research on curriculum, (pp. 248-267). New York: Macmillan.


    Protheroe, N. J., & Barsdate, K. J. (1992, March). Culturally Sensitive Instruction. Streamlined Seminar, 10(4), 1-4.


    Estratégias para usar o conhecimento prévio

    Atividades escritas

    Gráficos Saber-Indagar-Aprender

    Atividades de raciocínio

    Debates


    Questionamento

     

    Conheça o questionamento
    O questionamento é o cerne do bom ensino. É necessário escolher os tipos de perguntas a fazer aos alunos para despertar respostas que exijam raciocínio e envolvam os alunos em debates produtivos. A estratégia de ensino de questionamento consiste em fazer perguntas estimulantes e desafiadoras que exigem o desenvolvimento de capacidades cognitivas mais  complexas, como análise, síntese e avaliação. Ao fazer perguntas desafiadoras, obrigamos os alunos a explorar idéias e aplicar o novo conhecimento a outras situações.


    O uso de tipos distintos de questionamento permite que os alunos pensem de formas diferentes e exclusivas. No âmago de uma aula com abordagem de projeto estão as perguntas básicas e as perguntas  que dão conta de temas curriculares mais complexos. Essas perguntas são propostas no início de uma unidade de estudo, e os alunos continuam a explorar e revisitar essas perguntas no decorrer da unidade.


    Perguntas que exigem que os alunos defendam ou expliquem sua posição são perguntas abertas. Perguntas fechadas impõem limites e possibilitam que um ou dois alunos a respondam de forma certa ou errada. As perguntas abertas são estimulantes e incentivam os alunos a raciocinar sobre várias idéias. Não há apenas uma resposta certa. Ao propor perguntas abertas a um grupo de alunos, a quantidade de idéias e respostas é ilimitada. As perguntas abertas:


    • Mostram aos alunos o que é valioso e o que é importante
    • Estimulam inúmeras respostas
    • Implicam a comunicação entre professor e aluno
    • Propiciam discussões e debates em sala de aula

     

    O bom questionamento envolve tanto o professor quanto o aluno. É importante que o professor conceda um "tempo de espera" antes de pedir respostas. O tempo de espera é definido como sendo decorrente do tempo entre a pergunta feita pelo professor e a próxima resposta verbal dada por um aluno. Com isso, os alunos têm a oportunidade de refletir e raciocinar antes de falar. Também é importante aceitar várias idéias dos alunos e não só algumas delas. Quem quiser participar precisa ter uma oportunidade de fazê-lo. Se não houver tempo, os alunos  podem deixar suas idéias em um diário, em um quadro,  para que essas idéias possam ser discutidas em outro momento.


    Fazendo acontecer na sala de aula
    O bom questionamento pode ser  utilizado em todos os anos e em todas as disciplinas, para envolver os alunos no conteúdo estudado.


    Perguntas meticulosas, hipotéticas e de esclarecimento

    Veja exemplos dos diferentes tipos de métodos de questionamento que podem ser usados com alunos de todos os anos.


    Questionamento socrático

    Leia sobre o método de questionamento socrático e saiba como usá-lo na sala de aula.


    Exemplo de métodos de questionamento

    Perguntas meticulosas, hipotéticas e de esclarecimento

    Questionamento socrático